top of page
Buscar

Cabeçadas e embocaduras nos Serviços Assistidos com Equinos: estamos escolhendo com critérios objetivos?

  • Foto do escritor: Syllas Jadach
    Syllas Jadach
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

Nos Serviços Assistidos com Equinos (SAE), cada decisão relacionada ao manejo e à condução dos equinos pode influenciar diretamente sua segurança, conforto, bem-estar e participação nas intervenções.


Entre essas decisões está a escolha do equipamento de condução. Cabeçadas, cabrestos e embocaduras fazem parte da rotina de muitos centros, mas será que existem critérios objetivos que orientam essas escolhas?


Essa foi justamente a pergunta que motivou uma pesquisa desenvolvida por Syllas Jadach Oliveira Lima, juntamente com a Prof Dra Denise Pereira Leme e Manoela Hermes, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e  apresentada durante a ABRAVEQ 2026.


O crescimento dos Serviços Assistidos com Equinos traz novos desafios


Nas últimas décadas, os Serviços Assistidos com Equinos cresceram de forma significativa em diferentes países.


Ao mesmo tempo em que aumentam as oportunidades de atuação, cresce também a responsabilidade dos profissionais em adotar práticas baseadas em conhecimento técnico, ciência e bem-estar equino.


Embora existam diretrizes internacionais que abordam manejo, treinamento e seleção dos equinos de intervenção, ainda existem poucos estudos discutindo especificamente quais equipamentos são utilizados e quais critérios orientam essas escolhas.


Como a pesquisa foi realizada?


O estudo utilizou um questionário on-line, respondido de forma anônima por 139 profissionais brasileiros que atuam nos Serviços Assistidos com Equinos.


Além de identificar quais equipamentos são mais utilizados, os pesquisadores buscaram compreender os motivos que levam os profissionais a escolher determinado tipo de cabeçada ou embocadura. As respostas abertas também foram analisadas qualitativamente para identificar padrões de decisão.


O que os resultados mostraram?


Os resultados revelaram uma grande diversidade de equipamentos utilizados.

Entre os participantes:

  • 48% utilizavam cabeçadas com embocadura;

  • 38% conduziam os equinos apenas com cabresto;

  • 12% utilizavam cabeçadas sem embocadura (bitless).


Mais interessante do que saber "qual equipamento é mais utilizado" foi compreender como essas escolhas são feitas.


O desafio não parece ser o equipamento, mas os critérios


Quando os pesquisadores analisaram os motivos apresentados pelos profissionais, encontraram um cenário bastante heterogêneo.


Apenas 21% dos participantes citaram o bem-estar do equino como critério para a escolha do equipamento.


Outros 19% afirmaram considerar como cada equino responde individualmente aos diferentes tipos de embocadura.


14% relataram simplesmente utilizar aquilo que consideravam o equipamento mais adequado para a atividade, sem mencionar qualquer avaliação relacionada ao equino.


Um dado chama bastante atenção: o critério mais frequente apareceu em apenas 21% das respostas, indicando que não existe consenso entre os profissionais sobre quais aspectos devem orientar essa decisão.


Não existe um equipamento ideal para todos os equinos


Um dos aspectos mais importantes trazidos pela pesquisa é justamente evitar respostas simplistas.


Os resultados não permitem concluir que uma embocadura seja "melhor" ou "pior" do que outra.


Também não permitem afirmar que trabalhar apenas com cabresto seja sempre a melhor opção.


O que o estudo evidencia é a necessidade de desenvolver critérios técnicos objetivos que ajudem os profissionais a tomar decisões fundamentadas, considerando cada equino, cada contexto de trabalho e os princípios do bem-estar animal.


O que isso significa para os profissionais?


Nos Serviços Assistidos com Equinos, decisões relacionadas aos equipamentos não devem ser tomadas apenas por tradição, preferência pessoal ou reprodução de práticas observadas em outros locais.


Cada escolha faz parte do planejamento da intervenção e deve considerar fatores como:

  • o histórico de treinamento do equino;

  • suas respostas comportamentais;

  • sua forma de comunicação;

  • a segurança da equipe e dos participantes;

  • os objetivos da atividade;

  • e, principalmente, o bem-estar do equino de intervenção.


Quanto mais objetivos forem esses critérios, maior tende a ser a qualidade técnica da prática.


Um passo importante para a construção da área


A pesquisa apresentada na ABRAVEQ representa um avanço importante para os Serviços Assistidos com Equinos no Brasil.


Ao investigar como os profissionais tomam decisões relacionadas aos equipamentos, o estudo abre espaço para novas pesquisas e para a construção de diretrizes cada vez mais fundamentadas em evidências.


Mais do que discutir qual equipamento utilizar, a principal contribuição deste trabalho é incentivar uma reflexão essencial: nossas escolhas estão baseadas em critérios claros, técnicos e orientados pelo bem-estar dos equinos?


Essa é uma pergunta que acompanha o amadurecimento da área e reforça a importância de produzir conhecimento científico capaz de orientar práticas cada vez mais responsáveis e éticas.




 
 
 

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Sheila Tavares
15 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que estudo maravilhoso! Nossa área é tão carente disso. Ler esse artigo me gerou grande incômodo em ver ainda tanta inconsistência com os bichos, com o treinamento e uso deles nas terapias. Mas foi ótimo ler pq me impulsionou a correr atrás da minha falta de conhecimento. Obrigada Syllas!

Curtir
bottom of page